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definições • 05/01/2017 - 20:49 • Atualizado em: 06/01/2017 - 12:19

Nações de maracatu definem detalhes da abertura do Carnaval

Reunião entre representantes das nações e da Prefeitura do Recife adiantou que estão previstas inúmeras homenagens ao mestre Naná Vasconcelos

por Roberta Patu

Finalmente, a tradicional abertura do Carnaval do Recife, com participações das nações de maracatu, foi definida. Após uma longa reunião, na tarde desta quinta-feira (5), entre representantes da Prefeitura e das nações, a homenagem ao percussionista Naná Vasconcelos ganhou forma. O encontro foi realizado no Teatro Hermilo Borba Filho, no Recife Antigo.

Com a proximidade da festa momesca, as nações de Maracatu se questionavam quanto à atuação delas na abertura do Carnaval e aos ensaios que, anteriormente, eram regidos pelo percussionista Naná Vasconcelos - falecido no dia 9 de março de 2016 -. A grande dúvida era em relação à permanência da valorização dos grupos que era defendida pelo mestre Naná.

Para este ano, a abertura do Carnaval no Marco Zero vai contar com 13 grupos de maracatu, dois a mais do que em 2016. Sol Nascente, Raízes de Pai Adão, Cambinda Estrela, Leão da Campina, Almirante do Forte, Encanto de Alegria, Aurora Africana, Encanto do Pina Estrela Brilhante, Estrela Dalva e Porto Rico são os grupos que já participavam da folia, enquanto que Oxum Mirim volta a se apresentar e o Tupinambá sube de categoria. 

Cada entidade este ano vai ter a quantidade de batuqueiros limitada, entre 20 e 30 integrantes por maracatu. Dessa forma, o Marco Zero deve reunir quase 400 pessoas para a grande apresentação. De acordo com a reunião desta quinta-feira, o cortejo também vai sofrer mudança. Anteriormente, ele era iniciado na Rua da Moeda e seguia até o Marco Zero. Com a alteração, o cortejo vai partir do Armazém 14 pela Avenida Alfredo Lisboa, conforme o mapa a seguir:

Para a grande homenagem de Naná Vasconcelos, que será realizada palco central do Marco Zero, se apresentarão Voz Nagô, as rainhas das nações, os mestres, a Orquestra Edson Rodrigues e 'Naná Vasconcelos', que estará no palco simbolicamente, representado com alguma peça do artista. Já os 13 grupos de Maracatu vão ficar na Rosa dos Ventos do Marco, formando um leque. A princípio, a organização do palco ficará com a orquestra ao fundo, conforme a seguinte configuração:

Com duração de aproximadamente duas horas, a apresentação promete emocionar o público. Estão previstos blecautes, diversas imagens de Naná Vasconcelos, que serão selecionadas por Patrícia Vasconcelos - viúva do mestre -,fogos de artifício, chuva de papel picado e cascata. Além, é claro, das dez músicas do artista que ainda serão definidas.

Patrícia Vasconcelos relatou, em entrevista ao Portal LeiaJá, que finalmente a homenagem estará como Naná gostaria. “Ele sempre defendeu a valorização dos grupos e essa apresentação vai dar destaque para os merecedores dele, o Maracatu como um todo e os mestres principalmente”, falou. A viúva ainda declarou estar muito feliz com o resultado. “Eu já estava desacreditada que essa homenagem iria acontecer”, concluiu.  

Para p presidente da Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco (Amanpe), Fábio Sotero, a reunião realizada nesta quinta-feira foi marcada por conquistas. “Estávamos muito receosos de como iria ficar a atuação das nações na homenagem de Naná, principalmente, no que diz repeito à disposição e o destaque dos mestres e seus maracatus, mas graças a nossa defesa, consideramos o resultado uma grande vitória”, contou.

O mestre da Nação Porto Rico, Chacon Viana, também falou das mudanças e definições. “Durante a reunião, tivemos que nos posicionar para garantir o destaque a quem realmente merece ser exaltado, o Maracatu, e quem faz parte dele, como o nosso mestre Naná sempre lutou”, concluiu. 


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