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Aula • 14/02/2017 - 15:16 • Atualizado em: 14/02/2017 - 15:19

Frevo ganha liberdade para animar sistema prisional de Pernambuco

Reeducandas da Colônia Penal Feminina do Recife tiveram um momento dedicado ao ritmo pernambucano

por Nathan Santos
Foto: Paulo Uchôa/LeiaJáImagens Reeducandas se divertiram ao som do frevo
O intenso ritmo do frevo rompeu novas barreiras na manhã desta terça-feira (14). A sonoridade pernambucana, responsável por ditar as prévias e blocos carnavalescos, invadiu o sistema prisional do Estado. Tudo em prol do processo de ressocialização, além de ser uma forma de fortalecimento da cultura popular.
 
Uma ação da Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres) levou frevo para a Colônia Penal Feminina do Recife, localizada no bairro do Engenho do Meio, Zona Oeste da cidade. Por meio dos ensinamentos do passista e professor de dança Wellington Pereira, de 36 anos, as reeducandas tiveram a oportunidade de participar de um aulão do ritmo pernambucano. Além da musicalidade que envolveu as detentas, sobraram sorrisos e lembranças dos velhos carnavais que marcaram as vidas de muitas delas na época de liberdade.
 
De acordo com o professor Wellington, conhecido como Neguinho do Frevo, a experiência de dar aula dentro de uma unidade prisional é tão importante quanto suas viagens para divulgação do ritmo pernambucano. “Para mim está sendo uma honra. Viajei o Brasil todo, mas esta experiência vai enriquecer muito o meu currículo. Estou amando estar aqui hoje”, destacou Neguinho.
O professor de frevo também participa de projetos sociais em cidades da Região Metropolitana do Recife. O foco dos trabalhos é evitar que jovens entrem para o mundo do crime, passando a se dedicar às aulas de dança. Segundo Neguinho, trabalhos que envolvem cultura popular podem ser utilizados como forma de ressocializar pessoas do sistema carcerário brasileiro.
 
“A cultura tem seus valores. Tem o poder de resgatar as pessoas. Cultura, para mim, é a base de tudo. As escolas precisam de matérias sobre dança, manifestações culturais. A arte e a cultura popular podem servir para ressocializar as pessoas ou até para evitar que elas cheguem ao mundo do crime. Hoje, posso dizer que só tenho a agradecer a dança”, disse o professor. Neguinho é o atual campeão do concurso de passistas da Prefeitura do Recife e se apresentará em polos carnavalescos durante a Festa de Momo.
 
A Colônia Penal Feminina do Recife conta com 650 reeducandas, mas sua capacidade é para apenas 200 pessoas. Nesta quarta-feira (15), os eventos culturais e artísticos chegam ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP), situado em Itamaracá, Litoral Norte de Pernambuco. Às 9h, pacientes da unidade contarão com um bloco de carnaval, oficinas de artesanato, apresentações musicais e teatro.  
 
No pátio da unidade prisional feminina, dezenas de reeducandas se reuniram para um dia diferente. O frevo se tornou a sonoridade que embalou a manhã desta terça-feira na Colônia Penal, diminuindo a angustia e tensão que assolam quem vive atrás das grades. Juntas, elas entoaram canções tradicionais do carnaval pernambucano e acompanharam com atenção os passos ligeiros e firmes do professor Neguinho. No vídeo a seguir, confira trechos da aula de frevo, além da opinião da chefe executiva do presídio, Charisma Tomé, sobre a importância da atividade cultural para as detentas. Veja também uma reeducanda que caiu no ritmo efervesceste do frevo: 
 
 

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