Clicky

Recife • 28/02/2017 - 14:02 •

Foliões fogem do Carnaval com medo da violência

O Parque da Jaqueira, na zona norte do Recife, nesta terça (28), foi a opção encontrada por muitos para evitar o agito da folia de momo 

por Taciana Carvalho
Brenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagens

O Carnaval do Recife e Olinda tem surpreendido até mesmo os mais céticos, no que diz respeito à tranquilidade durante os dias de festa, com poucos episódios de violência. Mesmo assim muitas pessoas têm procurado distância da festa de Momo com receio de serem alvos do que definem como "falta de segurança". Nesta terça (28), a opção de boa parte da população é o Parque da Jaqueira, na zona norte da cidade. 

A dona de casa Eldi Sanchez é um exemplo. Ela, que é olindense, saiu cedo de casa para evitar o trânsito para os que chegam na cidade dos altos coqueiros. Ela veio para o tradicional espaço público da região com o seu marido Flávio Dias e a filha do casal Ana Beatriz, de 9 anos. 

Flávio declarou que cada um deve escolher o que achar melhor. No seu caso, apesar de gostar de Carnaval, prefere não arriscar. "Não vejo vantagem porque a gente, até quer ir para brincar, mas infelizmente muita gente não vai com essa mesma intenção. Fica complicado, então, preferimos evitar", ressaltou.  

Já Eldi disse que prefere sair do "agito" das ladeiras de Olinda. Ela também contou que, para evitar transtornos na volta para casa, irá dormir na casa de sua irmã, em Boa Viagem, na zona sul do Recife. "Acho que todo cuidado é pouco, principalmente, com a nossa filha", frisou.

Na mesma linha de raciocínio, a professora Alciane Martins aproveitou o dia para fazer uma caminhada no parque ao lado da vizinha Lourdes da Silva. "Apesar de ter ocorrido tudo bem até agora, nós temos medo. Para aproveitar a festa temos que ficar à mercê de flanelinhas para estacionar. Também temos medo de bala perdida ou ser assaltada em ponto de ônibus. Eu faço parte de um grupo de paz e estou em busca disso", disse.

Já Lourdes, 66 anos, declarou que, até trocaria a atividade de hoje, pelas ladeiras de Olinda, mas que sentiu dificuldade de encontrar uma companhia. "Eu gosto de curtir, de ver todo aquele movimento, mas muita gente não quis ir comigo. Até fui ao Recife Antigo e estava tranquilo. Só fiquei com medo um pouco na hora de voltar, mas foi muito bom".

Comentários