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Resistência • 02/03/2017 - 01:43 • Atualizado em: 02/03/2017 - 01:50

Em ato de resistência, Boizinhos desfilam em frente à Prefeitura de Olinda

Após risco de ser cancelado, o tradicional Encontro dos Bois mudou de local e desfilou em frente à sede da gestão municipal na noite desta quarta-feira de cinzas

por Eduarda Esteves
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Após risco de ser cancelado, o tradicional Encontro dos Bois mudou de local e desfilou em frente à sede da gestão municipal na noite desta quarta-feira de cinzasApós risco de ser cancelado, o tradicional Encontro dos Bois mudou de local e desfilou em frente à sede da gestão municipal na noite desta quarta-feira de cinzasApós risco de ser cancelado, o tradicional Encontro dos Bois mudou de local e desfilou em frente à sede da gestão municipal na noite desta quarta-feira de cinzasApós risco de ser cancelado, o tradicional Encontro dos Bois mudou de local e desfilou em frente à sede da gestão municipal na noite desta quarta-feira de cinzasApós risco de ser cancelado, o tradicional Encontro dos Bois mudou de local e desfilou em frente à sede da gestão municipal na noite desta quarta-feira de cinzasApós risco de ser cancelado, o tradicional Encontro dos Bois mudou de local e desfilou em frente à sede da gestão municipal na noite desta quarta-feira de cinzas
Após quase ser cancelado por falta de iluminação e segurança na rua da Boa Hora, no bairro do Varadouro, o tradicional Encontro dos Boizinhos de Olinda resistiu e saiu pelas ruas do Sítio Histórico e se encontraram em frente à sede da Prefeitura da Cidade Alta. O Encontro dos Bois acontece há 35 anos e apesar da mudança do local, a festa da quarta-feira de cinzas reuniu mais de cinco agremiações. 
 
O organizador do Boi Cara de Sapo, que tem mais de 30 anos de existência, Fred Nascimento, disse que ficou surpreso com a notícia de que o encontro poderia não ser realizado. "A gente estava muito acostumado com a festa na presença de dona Dá, mas resolvemos resistir e a festa está sendo ótima", explicou. 
 
Desde 1986, Jobecilda Airola da Silva, conhecida como dona Dá, confecciona troféus para entregar aos bois que passam pela rua da Boa Hora. Na tarde desta quarta-feira, a filha dela, Jócely Airola, anunciou que a tradição seria encerrada. O motivo foi a grande quantidade de brigas de grupos e a falta de segurança na região. De última hora, os organizadores dos Bois conseguiram acordar na mudança de local para a sede da Prefeitura de Olinda.
 
Para uma das integrantes do Boi Marinho, Juliane Fuchs, o novo local escolhido é simbólico e significa resistência do Carnaval popular de rua. "Tinha que ser aqui na frente para mostrar que por mais que se criem situações para estarmos fora da rua, estamos aqui e esse é o nosso lugar", disse. Fuchs também ressaltou a importância de combater o medo gerado pela omissão do poder público. 
 
"Quanto mais caos é disseminado, mais as pessoas vão ficando dentro de suas casas e a gente perde o direito de ser feliz nas ruas. Temos que mostrar que nosso Carnaval é feito na rua e não em cima dos palcos", afirmou.  
 
Há 11 anos frequentando o encontro, Patrícia Caldas, que levou suas duas filhas ao novo local nesta quarta, lamentou a saída da rua da Boa Hora. " A festa e a brincadeira sempre prevalecem, mas o problema é a gente ter que sair do nosso lugar de origem por falta de segurança pública, que é uma obrigação do município", declarou. 
 
Enquanto assistia ao desfile do Boi da Mata, Fátima Oliveira disse que falta aos movimentos de cultura serem reconhecidos pelas autoridades governamentais. "O fato de não sermos valorizados é muito triste. A omissão do estado em relação a segurança nos deixou em uma situação de vulnerabilidade. Achamos uma alternativa, mas perdemos o clima da casa de dona Dá", expôs. 
 
Para ela, em 2018 o ideal é que seja feito um novo movimento de resistência para que os Bois retomem ao local de origem e possam contar com segurança para realizar o desfile novamente. "Vamos em busca disso porque isso aqui é muito mais que uma folia de Carnaval, é um encontro de pura resistência das comunidades", concluiu. 

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