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• 11/01/2018 - 16:35 • Atualizado em: 11/01/2018 - 16:43

Tradicional Lavagem do Bonfim tem procissão de oito quilômetros

 O cortejo multirreligioso na Cidade Baixa de Salvador é feito desde 1773 

por Nicole Simões
Lavagem do Bonfim é marcada por pedidos e agradecimentos feitos por fiéis Lavagem do Bonfim é marcada por pedidos e agradecimentos feitos por fiéis

Desde as 8 horas da manhã desta quinta-feira (11), milhares de fiéis participam da Festa do Senhor do Bonfim, conhecida como a Lavagem do Bonfim, um dos momentos religiosos mais aguardados em Salvador, na Bahia. Oito quilômetros de cortejo entre o bairro de Comércio e a Colina Sagrada integraram as celebrações de católicos e do povo de santo ao Senhor do Bonfim e de Oxalá, para o candomblé.

As primeiras bênçãos foram dadas pelo reitor da Basílica, cônego Edson Menezes da Silva, que destacou a importância do combate à intolerância em todas as esferas. “Temos que difundir a solidariedade, a reconciliação e as relações interpessoais. Cada um pode contribuir e lutar por um mundo melhor, fazendo o bem”, destacou durante a missa.

A tradição acontece há 264 anos e é mobilizada por fiéis, simpatizantes e turistas. A caminhada começa na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia e vai até o bairro do Bonfim, que tem as escadarias lavadas por baianas durante as homenagens.

Segundo a Prefeitura de Salvador, apesar da lavagem ser realizada nesta quinta (11), a programação dos festejos começa sempre com uma semana de antecedência, com o início da novena, e vai até o domingo, dia em que é celebrada uma missa solene pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger. 

O tema escolhido para este ano foi "Origem, identidade e missão do amado Jesus, Senhor do Bonfim". O lema é "Quem dizes os homens ser o Filho do Homem (Mt 16,13)", que serão desdobrados em subtemas para cada noite da novena.

Em 2014 a festa foi reconhecida como Patrimônio Imaterial Nacional. O culto ao Nosso Senhor do Bonfim começou em 1745, quando a imagem do santo foi trazida pelo capitão Português Teodósio Rodrigues de Farias cumprindo uma promessa que fez depois de ter sobrevivido a uma forte tempestade.

As homenagens, no entanto, iniciaram de fato em 1754, ano em que a imagem foi transferida da Igreja da Penha, em Itapagipe, para a sua própria igreja, construída na Colina Sagrada. Segundo relatos históricos, a lavagem do adro da Basílica começou a partir dos moradores da região, que lavavam a igreja para deixá-la pronta para a Festa do Bonfim. Por conta da dança durante o cortejo até a basílica, a limpeza foi proibida, em 1889, pelo arcebispo da Bahia Dom Luís Antônio dos Santos. Após a decisão, adeptos do candomblé começaram a fazer o cortejo para lavar as escadarias.

Durante todo o dia, bares e casas próximas à colina oferecem comidas baianas que vão da feijoada ao xinxim, e festas particulares, como as da Marina e do Terminal Náutico de Salvador, atraem pessoas em busca de diversão. Ainda de acordo com a Prefeitura, a imagem peregrina do Senhor do Bonfim permanece próxima à porta da igreja para veneração pública dos fiéis até as 18h.  


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