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Preservação • 04/02/2018 - 01:55 • Atualizado em: 04/02/2018 - 11:03

Fantasias ecológicas fizeram sucesso no Municipal do Recife

por Nicole Simões
Chico Peixoto/LeiaJáImagensChico Peixoto/LeiaJáImagensChico Peixoto/LeiaJáImagens

Todo ano tem Carnaval e todo ano tem gente que prefere um usar uma fantasia nova para curtir a festa. Algumas pessoas preferem comprar ou encomendam os abadás, mas nesse meio todo também tem muita gente que prefere economizar e ajudar o meio ambiente.  

Como é o caso da recifense Cláudia Vitorino, 42, que esteve nos 54 anos do Baile Municipal no último sábado (3) e aproveitou para realizar seu grande sonho: usar uma fantasia de Cleópatra toda feita com lacres de latinhas.

A produção começou no ano passado. Durante dois meses, ela fez a base da blusa e da saia, mas ainda faltava muitos lacres para terminar as peças e isso fez com que não desse tempo de usar a fantasia no Carnaval anterior. Mesmo assim, como uma boa pernambucana, Cláudia não perdeu as esperanças e continuou juntando os lacres para concluir as peças.  

Foram necessários 15 dias para que tudo estivesse pronto. A saia, segundo ela, é a parte mais pesada do conjunto, que reúne mais de 4 mil lacres. Tudo foi construído e costurado a mão. A base é de tecido com forro e por fora ficam as peças, umas encaixadas nas outras.  

"Eu sempre gostei dessas coisas de reciclagem e meio ambiente. Sempre quis fazer uma fantasia dessas porque eu sabia que existia por aí, mas eu nunca imaginei que fosse tão pesada. Mas aí quando eu comecei a fazer, fui tendo mais incentivo e até mesmo querendo fazer outras roupas", comenta.  

O objetivo de Cláudia é no ano que vem voltar ao Baile com uma fantasia totalmente de tampas de garrafas. A peça já está em produção, mas ainda faltam muitas tampas. "Uma roupa dessa é uma exclusividade e requer tempo. Eu não venderia por menos de R$ 1 mil não, pelo trabalho que eu tive. Mesmo sendo um produto reciclável, foi um trabalho pesado. Estou muito satisfeita com a fantasia e já avisei que quando eu morrer, quero ser enterrada com ela", brinca.

Quem também esteve na festa foi Jorge Cosme Ribeiro, com sua fantasia inspirada nas origens nordestinas e na fênix. A ideia foi criar um chapéu de palha com uma representação da ave e fazer vários colares com sementes da natureza. 

Pela quarta vez no Baile, ele conta que a confecção demorou cerca de um mês. Jorge, que é artesão, fez tudo à mão e costurou também uma manta de pajé, toda feita de palha. Para não agredir o meio ambiente, tudo que foi usado veio direto do chão, quando os frutos caem secos.  

"São materiais retirados da própria natureza e sem agredir ao meio ambiente. A gente precisa falar sobre a preservação também no carnaval. Eu quis falar sobre isso, porque é uma beleza. Faz a gente viver", revela. Se fosse vender a peça, o pernambucano diz que não seria por menos de R$ 800. Já que também tem todo esforço feito para que a fantasia ficasse bem caprichada.

 

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