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CULTURA • 11/02/2018 - 16:49 • Atualizado em: 11/02/2018 - 17:04

Na internet, indígena opina sobre cocares no Carnaval: “Nada demais”

Ysani Kalapalo usou o Facebook para manifestar opinião; ela é dona de uma marca que vende acessórios indígenas online

por Marília Parente
De acordo com Ysani, povo Kalapalo aceita que visitantes usem adereços em suas cerimônias Foto: Reprodução/Facebook
A ativista indígena Ysani Kalapalo usou seu Facebook para se manifestar em relação à polêmica a respeito da apropriação cultural que pode representar para povos indígenas a utilização de “adereços de índio” por pessoas brancas no Carnaval. No vídeo “pode ou não pode se fantasiar de índio”, que já acumula 351 mil visualizações, ela afirma não ver nada demais na utilização de elementos indígenas por quem quer que seja. 
 
“Sou do povo Kalapalo, natural do Parque do Xingu. Na minha cultura, pelo que vivi, não tem nada demais usar cocar, adereços indígenas no Carnaval. Pra nós, isso não é nada demais, a gente fica feliz quando vê o branco usar cocar indígena”, opina. Ysani comenta ainda que quando visitantes brancos acompanham cerimônias de seu povo, eles são autorizados a utilizar adereços típicos. “Vocês podem se vestir de índios. Agora, eu, que pertenço ao povo Kalapalo, estou dizendo isso. Depende muito de tribo para tribo. Existe 305 etnias no Brasil, que pensam uma diferente da outra. Não generalize”, pondera.
 
Ysani estudou Mídias Digitais e Sociais. Em 2008, ela criou a campanha Orgulho Indígena, que se tornou uma marca conhecida, cuja atividade consiste em vender roupas e adereços indígenas online. 
 
Alguns indígenas já haviam se manifestado contra as “fantasias de índio” no carnaval, através da hashtag #índionãoéfantasia. Em vídeo, a youtuber Katu, que lançou a campanha, opinou: “indígenas existem, resistem e temos cultura. Fantasia de índio é racismo porque discrimina nossa raça, fortalece o esterótipo de índio folclore e a hipersexualização da mulher indígena”.
 
Confira o vídeo de Ysani Kalapalo:
 
 

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