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Intolerância religiosa • 13/02/2018 - 01:45 • Atualizado em: 13/02/2018 - 02:00

Após polêmica com Michele Collins, Noite dos Tambores Silenciosos está ainda mais resistente

Durante a cerimônia, foi realizado um discurso para Iemanjá

por Jorge Cosme
Noite dos Tambores Silenciosos ocorreu nesta segunda-feira (12) Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

Realizada nesta segunda-feira (12), a Noite dos Tambores Silenciosos do Recife estava ainda mais resistente. O motivo que mexeu com as nações foi a declaração da vereadora Michele Collins (PP), que disse em seu Facebook que um evento religioso estava “quebrando toda maldição de Iemanjá, lançada contra nossa terra em nome de Jesus”.

Em um dos momentos da cerimônia em homenagem à Virgem do Rosário, padroeira dos negros, foi feito um louvor a Iemanjá. “Ô grande pedra, Iemanjá sabá”, entoou Mãe Elza de Iemanjá Ogunté. Ela, que faz parte da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, evitou citar a vereadora devido ao seu cargo, mas criticou o preconceito religioso.

“Existe uma cultura religiosa predominante no país. Sabemos também que o Estado laico não é respeitado. Infelizmente o racismo está impregnado na sociedade. Mas a gente pode resistir. Intolerância religiosa é crime”, ela resumiu.

Há 16 anos participando da Noite dos Tambores Silenciosos, a rainha Carmenita  do Oxum Mirim diz ter ficado abalada ao saber da polêmica. “Eu passei mal de verdade. Assim que eu soube, não me senti bem. Deus deixou tanta coisa boa no mundo...”, comentou reflexiva. O rei Ednelson José comentou que o povo de terreiro não vai se aquietar . “Eu me senti ofendido por ser a fala de uma vereadora”, disse.

Fora da abertura – As nações de maracatu de baque virado também se mostraram descontentes com a exclusão do encontro de maracatus na abertura do Carnaval do Recife. “Eu achei péssimo. Todo ano era daquele jeito. Eu me senti decepcionada”, disse Carmenita.

O coordenador do palco do Pátio do Terço, Rafael Niceas, se esquivou da polêmica. Ele destacou o Tumaracá, evento criado para substituir o encontro e realizado um dia antes da abertura do Carnaval. “Já foi um evento para emponderar essa cultura. É uma forma de luta e de manifesto. A prefeitura decidiu dar um dia o maracatu de baque-virado”, afirmou. 

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