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Exemplo • 10/02/2019 - 10:00 • Atualizado em: 10/02/2019 - 10:00

Maracatu Águia Misteriosa, o maior e mais ousado da Mata Norte

Nação tem quase 200 integrantes e não tem medo de inovar no Carnaval

 

por Paula Brasileiro

Em uma casa não muito espaçosa, pintada de verde, funciona a sede do Maracatu de Baque Solto Águia Misteriosa, em Nazaré da Mata, a ‘capital do maracatu’. Na porta, o desenho de uma índia, na verdade uma entidade da Jurema Sagrada, registra quem protege a nação, a cabocla Jacira. Com 28 anos de história, o grupo se destaca por ser um dos maiores de Nazaré da Mata e, também, um dos mais ousados.

A sede do Águia Misteriosa é simples, mas guarda a riqueza da nação. Os trajes e adereços de caboclos e baianas, confeccionados pelos próprios folgazões - muitos deles trabalhadores rurais -,  conferem ao lugar um colorido de beleza impressionante. A casa também foi erguida por muitos dos brincantes, entre eles, Vicente Manoel da Silva, integrante do grupo há 19 anos e, hoje, presidente.

                                                             

Ele conta com orgulho como ajudou na construção da sede, colocando tijolos e rebocando paredes e relembra como a agremiação era guardada antes do lugar ser levantado: "Esse maracatu vivia dentro de um quarto. Quando chovia, chovia dentro do quarto também", diz aos risos.

O presidente da Águia também se orgulha de seus 160 componentes. Segundo Vicente, a sua é a maior nação de Nazaré da Mata em número de participantes. E a grande maioria ajuda na produção do Carnaval, costurando, bordando, ou até mesmo vendendo rifas para ajudar no custeio da festa.

 

Maracatu Inovador

Além dos números, o Águia Misteriosa tem outra característica que o destaca: a ousadia. O maracatu gosta de inovar e não tem medo de arriscar. Haja vista a decisão de entregar o seu terno, a parte musical da brincadeira, para um jovem de apenas 15 anos, o Mestre Anderson Miguel, oito anos atrás.

Foi com essa idade que Anderson estreou no Águia, em 2011. "Eu agradeço pela coragem do Águia de ter entregue o maracatu para um menino tão novo, com pouca experiência", ele diz, hoje aos 23. Atualmente, Anderson é um dos maiores nomes da nova geração de mestres da Mata Norte pernambucana e reconhece que a nação onde, praticamente, começou foi uma grande "escola".

Em 2019, após passar por outras agremiações, Mestre Anderson está de volta à sua "casa". O jovem também se diz muito invoador e por isso sua identificação com uma de suas primeiras nações é grande. Ele promete um grande Carnaval para o Águia Formosa neste momento de retorno do qual fala emocionado e feliz: "A expectativa é grande. Voltei pra casa".

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Fotos: Rafael bandeira/LeiaJáImagens

 

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