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Aniversário • 09/02/2017 - 14:45 • Atualizado em: 09/02/2017 - 16:16

No Dia do Frevo, passistas pedem mais respeito à história do ritmo

Profissionais se queixam do esquecimento do poder público ao longo do ano com exceção do período carnavalesco

por Eduarda Esteves
A Boneca do Frevo nasceu no dia 9 de fevereiro e este ano completa onze anos Eduarda Esteves/LeiaJáImagens (A Boneca do Frevo nasceu no dia 9 de fevereiro e este ano completa onze anos)
O sol é escaldante no Alto da Sé, em Olinda, e o vento parece não soprar. O relógio marca 12h e o toque do trombone marca o início da apresentação. Nesta quinta-feira (9) é celebrado o Dia do Frevo. Os passistas se organizam um por vez para saudar os 110 anos de história do ritmo pernambucano.
 
Donos de habilidades acrobáticas, os responsáveis por dançar o frevo profissionalmente parecem ter incríveis flexões nos joelhos. Os turistas e curiosos param e observam maravilhados os passos dos dançarinos, que por vezes são capazes de voar. 
 
Declarado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade no ano de 2007, o frevo é o ritmo que comanda as festas de Carnaval nas ladeiras da Cidade Alta e nas ruas do Recife.
 
Passista há 26 anos, Valquíria Leal, integrante do grupo Frevolinda, conta que mesmo com toda tradição do ritmo em Pernambuco, cultivar o frevo ainda é sinônimo de resistência. "Não é fácil fazer frevo em Olinda. Hoje em dia precisamos de disciplina para achar as poucas oportunidades e criar um mercado", declarou. 
 
Com os pés machucados com calos e bolhas e o suor escorrendo, a passista Daniela Silva se diz realizada em trabalhar no Dia do Frevo, mas lamenta a falta de incentivo durante o resto do ano. "Temos que correr atrás para fazer nossa arte porque o poder público ainda não nos valoriza tanto", disse. 
 
Completando onze anos em 2017, a boneca gigante do Frevolinda, representando Valquíria Leal, foge ao tradicional modelo dos bonecos gigantes homenageando homens. Para a passista, dançar no Dia do Frevo ao lado da boneca é a concretização de um sonho. 
 
"Eu me preparo o ano todo para esse dia. Faço figurino, coreografias e ensaios. Passamos muitas dificuldades, mas fazer o que se gosta é uam realização profissional e pessoal", apontou Valquíria.
 
Programação
 
Durante toda esta quinta-feira (9) haverá programação em homenagem ao frevo no Alto da Sé. As atividades retornam às 15h com um concurso de passistas nas categorias infantil, juvenil e adulto. O vencedor de cada categoria receberá um cachê de R$ 200, um troféu e certificado de participação. O segundo lugar leva um cachê de R$ 100 e uma medalha.
 
Já à noite, o encerramento do dia de festividades contará com o 1º Concurso de Frevo do Festival. Ao todo, são oito compositores inscritos que apresentarão novas composições de frevo. Apenas o vencedor será premiado com um cachê de R$ 200, um troféu e um certificado de participação. O concurso tem o objetivo de incentivar a composição de novas marchinhas carnavalescas.
 
Às 21h haverá o lançamento do CD Frevolinda e, em seguida, o arrastão do bloco do frevo a partir do Alto da Sé. Serão mais de 15 músicos entoando frevos tradicionais pelas ladeiras da Cidade Alta, seguindo até os Quatro Cantos. 

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