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Protesto • 21/02/2017 - 14:40 • Atualizado em: 21/02/2017 - 14:44

Arquidiocese acusada de 'impedir negros' na Igreja do Rosário, em Olinda

Pela primeira vez na história da Noite dos Tambores Silenciosos, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos permaneceu fechada

por Eduarda Esteves
Pela primeira vez desde que a Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda é realizada, igreja não permitiu acesso Brenda Alcântara/LeiaJáImagens (Pela primeira vez desde que a Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda é realizada, igreja não permitiu acesso)
Durante a 13ª edição da Noite para os Tambores Silenciosos, no Bonsucesso, em Olinda, um dos organizadores do evento, o músico Tiago Nagô, afirmou, em entrevista ao LeiaJa.com, que pela primeira vez na história do evento a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos permaneceu fechada. Nagô acusa a Arquidiocese de Olinda e Recife de "racismo institucional" por impedir a entrada de negros no local.
 
Com quase 400 anos de história, a igreja foi construída pelos escravos no ano de 1621. No local, eram realizadas festas denominadas congos no intuito de resgatar a religiosidade africana. Em 2017, o LeiaJá constatou que as grades da Igreja estavam fechadas, diferente da tradição de anos anteriores, em que o local era aberto às nações de maracatu. 
 
"A Arquidiocese decidiu fechar a Igreja que nós negros construímos e com isso toda a comunidade fica impedida de frequentar um local tradição religiosa e resistência cultural. A partir do momento que eles não nos deixam entrar, entendo como racismo institucional", lamentou Tiago Nagô.
 
O militante da cultura afro faz um apelo ao Ministério Público Federal para que a Lei da Igualdade Racial seja respeitada e o local seja reaberto. Nagô conta que a igreja foi fechada há pouco menos de um mês sem uma explicação plausível. "Eles dizem que está sendo feita uma intervenção, mas o local está em bom estado porque foi reformado há pouco tempo com o dinheiro público pelo Iphan", contou. 
 
Apesar do impedimento da entrada no local, Cecilia Canuto, uma das organizadoras da Noite dos Tambores Silenciosos, diz que a comunidade do Rosário continua lutando para fazer parte do "templo". "Mesmo com as luzes acesas, a gente não tem poderes de uso do espaço", informou Canuto. 
 
Mesmo com a pouca participação da gestão da Igreja do Rosário, a 13ª edição da Noite para os Tambores Silenciosos foi realizadas e contou com a participação de dez nações de maracatu que abrilharam a noite da segunda-feira (20) pré-carnavalesca em Olinda.

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