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opinião • 24/02/2017 - 19:49 • Atualizado em: 24/02/2017 - 19:47

"Galo da Madrugada perdeu anatomia", diz primeiro criador do monumento

por Roberta Patu
Júlio Holanda trabalhou durante um mês na criação do Galo Reprodução/Facebook (Júlio Holanda trabalhou durante um mês na criação do Galo)

“Eu me lembro, exatamente, quando eu criei o primeiro Galo da Madrugada. Foi no mesmo ano que morreu Chico Science! No momento que eu estava produzindo o gigante, eu escutei na rádio que tínhamos perdido o cantor. Impossível esquecer esse momento”. Foi a partir dessa recordação, que o criador do primeiro Galo da Madrugada, Júlio Holanda, lembrou do ano em que o símbolo do Carnaval de Pernambuco foi colocado na Ponte Duarte Coelho.

Há exatos 20 anos, a referência do maior bloco do mundo (segundo Guinness Book) tomou conta de uma das pontes mais movimentadas da capital pernambucana e encantou a multidão que brinca a festa de Momo. De acordo com o idealizador e artista plástico, com 67 anos atualmente, a concepção do ‘gigante brincante’ não foi simples e que ele seguiu rigorosamente a anatomia do animal.

“Para fazer o Galo, na época, fiz o desenho no papel observando e respeitando completamente a estrutura e principalmente a anatomia do bicho. Depois disso, passei um mês dormindo no Geraldão para poder terminar. Confesso que esse período foi equivalente a três meses de tão intenso que foi”, conta Holanda.

Com delicadeza e nostalgia, Júlio explicou detalhadamente e com modéstia como fez para produzir o Galo da multidão.  “A armação foi feita toda de ferro e para montar, contei com uma equipe para soldar; depois coloquei a armação, que era feira com arame - tipo de galinheiro mesmo -, lona de resina, tinta acrílica para impermeabilizar e depois pintei toda a estrutura, como havia projetado” fala.

A montagem do Galo foi tão intensa quanto à energia que o folião tem ao brincar no Galo. “Para colocar ele de pé, montei em duas fases, a primeira do pescoço para a cabeça e a segunda o corpo. Depois de muito trabalho, virando noites inclusive, consegui entregar na abertura do Carnaval. Ao final, o gigante ficou com 17 metros de altura”, recorda.

Depois de tanto trabalho, o criador do Galo não pôde ver sua obra ao vivo na multidão. “Eu simplesmente não tive condições de ir. Lembro que estava totalmente quebrado. A única vez que vi foi pela televisão e fiquei maravilhado ao ver a multidão olhando deslumbrada. Foi maravilhoso”.

Para Holanda, depois da segunda criação, a peça perdeu a anatomia. “Ele foi muito caracterizado e com isso perdeu sua essência, sua forma, sua anatomia. Já tivemos Galo com chapéu, brilho e tanto adereço que perdia sua anatomia”, afirma.

Em relação ao Galo de 2017, Holanda fez suas considerações. “Acho interessante a proposta da grafitagem. É uma arte bem trabalhada e faz referência aos artistas. Em relação ao Galo deste ano, vi muitos comentários negativos no Facebook, mas não tenho como opinar porque não vi”, relata.

O artista plástico Julio Holanda criou os dois primeiros galos da Madrugada do Recife, nos anos de 1997 e 1998. No primeiro, ele trabalhou desde a criação à produção. Já o segundo, Holanda atuou na pintura. Além de fazer o Galo da Madrugada, ele também já produziu bonecos gigantes de Olinda, e figuras da cultura popular como o Rei e Rainha do Maracatu Imperial. Foi a partir daí que ele recebeu o convite, da Prefeitura do Recife (PCR), para fazer o primeiro Galo da Madrugada, que ficou erguido na Ponte Duarte Coelho.

 

Imagens: Reprodução/Facebook

 

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