Clicky

Acabou • 03/01/2018 - 14:25 • Atualizado em: 03/01/2018 - 15:04

Encontro de maracatus idealizado por Naná Vasconcelos está fora da abertura do Carnaval do Recife

Tradicional cerimônia que abria a festa com a participação de dezenas de nações de maracatu de baque virado não será realizada em 2018

por Paula Brasileiro
LeiaJáImagens/Arquivo ()
O rufar dos tambores anunciava: estava aberta a festa mais esperada do ano no Recife, o Carnaval. Na praça do Marco Zero, principal palco da folia pernambucana, cerca de 500 batuqueiros, de diferentes nações de maracatu de baque virado, tocavam juntos, regidos pelo mestre Naná Vasconcelos, falecido em 2016, para celebrar o início dos dias carnavalescos. Assim foi feito durante os últimos 16 anos na capital de Pernambuco. Mas, em 2018, o Carnaval recifense não será mais anunciado pelos tambores.
 
Após diversas reuniões para discussão da abertura do carnaval no Recife, a Prefeitura decidiu pela extinção do atual modelo. Na manhã desta quarta (3), integrantes de diversas nações de maracatu participaram de uma última reunião com o Secretário Executivo de Cultura, Eduardo Vasconcelos, para receberem o veredito final. "Ele (o secretário) já chegou avisando que a decisão era de não fazer mais a abertura e disse que se a gente quisesse no sábado, seria no sábado, ou então não", disse, em entrevista ao Leiajá, Fábio Sotero, presidente da Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco (Amanpe).
 
Apesar de, em entrevista cedida ao LeiaJa, o secretário executivo ter afirmado que o prefeito Geraldo Júlio não abria mão "da tradição deixada por Naná", a cerimônia, neste ano, será toda voltada ao frevo, com o comando dos homengeados do Carnaval 2018, os cantores Nena Queiroga e Jota Michiles
 
Uma contraproposta feita por parte das nações, para a realização de um encontro de maracatus na quinta-feira que antecede a abertura oficial da festa, com as 13 nações participantes. Os ensaios para evento já se iniciam no próximo dia 9 de janeiro. O encontro será liderado pelos mestres de cada maracatu, como foi feito em 2017, primeiro ano após a morte de Naná Vasconcelos. Porém, segundo o presidente da Amanpe, os batuqueiros e integrantes dos maracatus se sentem abandonados pelo poder público: "A sensação é de um golpe de uma gestão que não tem a menor preocupação com a cultura popular". Fábio revelou ainda que o secretário levantou a possibilidade de uma volta da cerimônia com os maracatus em 2019, mas a possibilidade não foi muito bem recebida pelos maracatuzeiros: "Não acreditamos nisso porque é uma gestão que não tem nenhum respeito pelo maracatu". 
 

Comentários