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Lamento • 04/01/2018 - 13:39 • Atualizado em: 04/01/2018 - 13:51

Naná brigava pela abertura com os maracatus desde 2010, relembra viúva do músico

Lamentando a extinção do evento criado pelo marido, Patrícia Vasconcelos revelou que a tentativa de mudá-lo não é inédita

por Paula Brasileiro
Patrícia, viúva de Naná: 'Esse Carnaval vai ser de exclusão' Chico Peixoto/LeiaJá Imagens/Arquivo (Patrícia, viúva de Naná: 'Esse Carnaval vai ser de exclusão')

A viúva do percussionista Naná Vasconcelos, Patrícia Vasconcelos, falou ao LeiaJá, sobre a extinção da abertura do Carnaval do Recife com as nações de maracatu de baque virado, idealizada e comandada pelo músico nos últimos 16 anos. A festa que tradicionalmente dava início ao Carnaval da capital pernambucana, com cerca de 500 batuqueiros de 13 nações distintas, passa agora a ser realizada na quinta-feira, encerrando as atividades pré-carnavalescas da cidade.

Patricia lamentou profundamente a decisão de colocar o evento para o dia anterior ao da abertura do Carnaval: “Eu estou muito triste. É muito profundo mexer com esse trabalho. É uma história que eles estão tentando apagar”. Acreditando se tratar de um “retrocesso cultural”, a companheira de Naná Vasconcelos, questionou sobre a manutenção do legado deixado pelo seu marido: “Agora estou sem entender aquele monumento que colocaram no Marco Zero. Para mim, aquilo era uma simbologia da abertura do Carnaval. Fico triste com tanta coisa sendo deixada para trás. Os pernambucanos só querem aparecer pisando na cabeça dos outros”.

Ela também relembrou a luta do marido pela permanência das nações de maracatu na cerimônia que abre oficialmente as festividades carnavalescas no Recife. Segundo Patrícia, desde 2010 havia uma discussão com a gestão a respeito do modelo do evento: ”Me lembro como se fosse hoje, antes de sair de casa para uma dessas reuniões, Naná olhou para mim e disse: ‘Se Leda (secretária de cultura) quiser nos botar para o sábado, eu não vou aceitar’. Todo ano era uma angústia para ele”. Ela ainda comentou sobre o trabalho de resistência realizado pelo marido: “Ele foi muito guerreiro. Eles não sabem a repercussão que isso vai ter no mundo. Eles não entendem, nunca entenderam Naná.”

Morando em Nova Iorque, Patricia não pôde participar presencialmente das várias reuniões entre os gestores e os maracatuzeiros, mas acompanhou tudo pelo telefone e Whatsapp. Ela acredita que as nações aceitaram as mudanças no evento por estarem em situação desfavorável: “Esses mestres estão oprimidos, eles não podem deixar de ganhar esse dinheiro. Isso é uma opressão à cultura”. Ela não estará no Brasil para o Carnaval, mas pretende vir ao país ainda este ano e espera poder conversar com os gestores de cultura recifense sobre o caso. Desacreditada do sucesso do encontro de maracatus na quinta-feira, ela foi taxativa: “Esse Carnaval não vai ser de celebração, vai ser de exclusão”.

Festa do frevo

O Carnaval de 2018 será aberto no dia 9 de fevereiro, data em que o frevo comemora 111 anos de história. Os homenageados da festa, Nena Queiroga e Jota Michiles, receberão convidados como Luiza Possi, Lenine, Lula Queiroga e Geraldo Azevedo. Antes, o espetáculo Frevo do Mundo contará a história do ritmo com participações de Antônio Nóbrega, Spok, e Banda de Pau e Corda, entre outros.

 

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