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Artista • 20/01/2018 - 16:00 • Atualizado em: 20/01/2018 - 16:00

Luiz Caldas: 55 anos de história e dedicação ao Axé Music

Cantor baiano esteve no Recife na última sexta-feira (19) e conversou com o LeiaJá

por Nicole Simões
Rafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagens

Comemorando seus 55 anos, Luiz Caldas, mais conhecido como "O Pai do Axé Music", pisou no Recife na última sexta-feira (19) para animar a prévia carnavalesca do Bloco Balança Maluco. O artista baiano, consagrado por canções como "Haja Amor", "Tieta", "Fricote", "O Que é Que Essa Nega Quer?", subiu ao palco da festa e fez o público rebolar ao som de muito axé. Em entrevista exclusiva ao LeiaJá, o arranjador, produtor, compositor e cantor, contou um pouco sobre a sua relação com Chacrinha, que nesta terceira edição do evento foi homenageado pelos seus 100 anos.

"Chacrinha foi muito importante na minha carreira. Ele me chamou uma vez no camarim dele e disse: Luiz você está reescrevendo a história do Carnaval da Bahia, com a sua forma de dançar, de cantar. E isso foi maravilhoso para mim. Está aqui nessa homenagem é mais do que uma honra, é uma forma de agradecer ao Velho Guerreiro pela oportunidade de ter pisado no seu palco diversas vezes. Ele que me apresentou para o Brasil", disse Luiz.

Tocando um projeto de lançamentos de discos virtuais há quase seis anos, o multi-instrumentista falou que o segredo para continuar sempre se reinventando é ser feliz e fazer aquilo que você acredita. "Quando o artista começa a tentar agradar ao público, ele está dando um tiro no pé. Ele tem que ser ele mesmo e deixar que o público goste do que ele faz. Isso acontece comigo. O meu projeto tem dado certo porque também não é algo só meu. As composições são todas minhas, mas também tem a participação de parceiros. Se renovar não é algo fácil. Exige dedicação, tempo e criatividade. O projeto é muito longo e agora que estamos na metade", explica.

Atualmente, o baiano já tem 72 discos lançados e 742 músicas inéditas, todas disponíveis gratuitamente nas plataformas digitais. O projeto conta com participações de artistas renomados da música brasileira como Zeca Baleiro, Seu Jorge, Gilberto Gil e Alceu Valença.

Segundo Luiz Caldas, as pessoas ainda não entendem esse projeto. "Muita gente questiona essa ideia de fazer algo gratuito para as pessoas, mas eu acho que o tempo vai colocar ele no seu devido lugar. Eu queria criar algo que as pessoas não só pulassem, mas sim dançassem. Por isso surgiu o Axé Music. É um projeto sim, mas também não deixa de ser uma biblioteca musical para quem quer conhecer todos os estilos", comenta o cantor.

Tendo iniciado o contato com a música aos sete anos de idade, Caldas vê o Axé Music como uma mistura de ritmos. "O Axé Music, ele não é um ritmo musical como no caso é o frevo, como é o samba, como é o reggae. O Axé Music é uma forma de se fazer música e nesta se encontra tudo: frevo, baião, xote, reggae, jazz, rock. Um pouquinho de cada coisa. Porque basicamente ele é feito de mistura de ritmos, de células musicais", revela ao LeiaJá.

O artista também conta que sua grande inspiração é a música boa. "Hoje em dia, se eu preciso de uma canção eu sento e componho. Para mim, a grande inspiração é a música boa. Onde tem música boa, eu estou me inspirando. Isso já faz parte da minha vida, todo o dia eu entro no meu estúdio e toco. Eu respiro música todos os dias".

Sem preconceitos musicais, um dos princípios de Luiz é levar a música com bastante prazer. Para ele, existem músicas boas e músicas ruins, mas o mais importante nisso é gostar do que faz e respeita o que faz. "Eu sempre fiz isso na minha carreira e tem dado certo. Respeito o gosto das pessoas, mas como eu entendo de música, eu sei que aquela música bonitinha ela pode ser frágil em matéria de complexidade", explica o multi-instrumentista.

A agenda do cantor está repleta de shows até o Carnaval, mas todos na Bahia. A prévia do Balança Maluco foi a sua única participação por aqui durante os festejos do Momo, mas o artista prometeu retornar para trazer mais Axé Music a Pernambuco. "A identidade do frevo é a mesma identidade de Pernambuco, como o Axé Music é a identidade da Bahia. Não poderia sair daqui mais feliz do que estou e é claro, levando essa cultura maravilhosa do frevo que também está inclusa no Axé Music. Já estou com bastante pique e festejando a chegada do Carnaval", festejou o baiano.

Ainda neste ano sairá um disco de bossa nova com as participações, nas composições, de Jorge Mautner, André Abujamra, Zélia Dunkan, César Rasec, Pedro Bial, Jorge Vercillo e poderá ter Caetano Veloso e Gilberto Gil. "Enquanto eu tiver capacidade de me reinventar, estarei contribuindo para o melhor da nossa música. Aproveito e peço para visitar essa minha produção no meu site oficial. É tudo de altíssima qualidade, inédito, e de graça", finalizou.

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