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Paixão • 13/02/2019 - 14:10 • Atualizado em: 13/02/2019 - 19:01

Coragem é o gás que embala a arte de Edvânia em Bezerros

'Vou morrer artesã. Disso eu tenho certeza", atesta Edvânia Alves, conhecida no município por confeccionar as máscaras dos Papangus

por Paulo Uchôa
Rafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagens

Quando se comenta no Carnaval de Bezerros, a mente processa rapidamente a alegria dos Papangus em suas extravagantes máscaras percorrendo pelas ruas da cidade. Dentre os inúmeros profissionais que tem a arte na veia, uma mulher se destaca pela determinação e prazer em todos os trabalhos que produz. Natural de Afogados da Ingazeira, no Sertão de Pernambuco, Edvânia Alves mantém um relacionamento fervoroso com o artesanato desde quando tinha apenas dez anos. Logo de cara, o contato com o barro foi a sua primeira experiência, sem orientação de ninguém, no faro, buscando entender sozinha o que a aguardava mais para a frente.

Otimista, Edvânia percebeu que poderia explorar o seu conhecimento aonde quer que fosse. Já adolescente, aos 17 anos, após se mudar para Bezerros, Edvânia começou a pisar no mais novo território com calma. Iniciando pelo crochê, bagagem herdada na infância, ela viu que a renda renascença também seria uma ponte para construir o seu caminho como artesã. "Tenho orgulho do que fiz lá no comecinho. Tudo foi suado. Nada foi de mão beijada. Me orgulho das coisas que construí", declara.

Por mais que estivesse acostumada com a criação das suas peças trançadas em agulhas, Edvânia não hesitou ao transferir as ideias vivenciadas com o barro para o popular papel machê. Pronta para alçar voos maiores, ela, aos 30 anos, mergulhou de vez no universo das máscaras que dão o tom da folia para os bezerrenses.

Familiarizada com a tarefa artística, Edvânia passou a investir cada vez mais no seu potencial, porém, descartando qualquer tipo de limitação, a exemplo de não recusar encomendas por quantidade. Para ela, o empreendedor não só é para vender sua mercadoria com um número específico [grandioso] que vise apenas o lucro. "Se a pessoa está disposta a receber pedidos dos clientes, ela tem que passar a ter consciência de que produzir uma peça também vale a pena", pontua.

Integrante da Associação de Artesãos de Bezerros, Edvânia, hoje, vê o seu nome ganhar o Brasil através das feiras de artesanato, e fora dele, como nos Estados Unidos e Portugal. Ela não teve a oportunidade de ver alguém comprando seus trabalhos nessas viagens, mas garante que o coração vai junto. Com o Carnaval se aproximando, a casa de Edvânia se transforma em um ateliê improvisado. A mesa da sala de jantar serve de apoio para abrigar as máscaras dos Papangus, o armário da cozinha dá suporte para as tintas e o quintal, quando não está em época de chuva, ajuda a secar as pinturas.

Nesses 49 anos de carreira, Edvânia pensou em até desacelerar um pouco, mas não resiste quando alguém lhe pede para confeccionar alguns produtos. De imã de geladeira a caprichosas máscaras, a pernambucana só deseja uma coisa: que a cidade de Bezerros valorize mais a arte. Apesar de sentir que os jovens do município não buscam interesse pelo artesanato que movimenta a região no período carnavalesco, Edvânia acredita que os veteranos, mesmo sendo concorrentes, são pilares para manter a tradição em constante funcionamento. A menina que começou a meter a mão no barro, e que ousou a aperfeiçoar o seu talento, prova para a mulher de 59 anos que a desistência não faz parte da sua história. "Vou morrer artesã. Disso eu tenho certeza", atesta Edvânia Alves.

 

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