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Ícone • 16/02/2019 - 14:40 • Atualizado em: 16/02/2019 - 15:38

Lula Vassoureiro: orgulho para o povo de Bezerros

Mãos do artesão combinam cores e expressões as máscaras dos papangus no Agreste de Pernambuco

por Paulo Uchôa
. Rafael Bandeira/LeiaJáImagens (.)

As pessoas que pisam pela primeira vez em Bezerros, cidade localizada no Agreste pernambucano, dão de cara com placas indicando sugestões de visitas ao ateliê do artesão Amaro Arnaldo do Nascimento, ou melhor, Lula Vassoureiro. Na Rua Otávio Bezerra, no Bairro de Santo Amaro, máscaras dão o tom das histórias do pernambucano. Quando tinha seis anos de idade, o filho de José Arnaldo do Nascimento, o Zé Vassoureiro, não teve para onde correr.

Respirando arte dentro do próprio lar, ele viu no pai que era capaz de seguir os mesmos passos. Aos nove anos, Lula, que recebeu o apelido da avó em homenagem ao cantor Luiz Gonzaga, já era conhecido pelo talento precoce. Apesar de toda esperteza, o pequeno Amaro Arnaldo estava longe de cruzar os batentes de uma escola para se juntar com outras crianças da mesma faixa etária para obter conhecimentos. Por determinação do patriarca da família, Lula não teve o prazer de estudar. 

"Para se ter uma ideia, eu passei aproximadamente 13 anos para escrever o meu nome", declarou, em entrevista ao LeiaJá. Longe do material escolar, Lula percebeu que já estava íntimo do artesanato. Em 1950, ele confeccionou sua primeira máscara para brincar no Carnaval bezerrense se passando pelo personagem Amigo da Onça, baseado na criação do cartunista Péricles de Andrade. As peripécias da infância fez com que Lula encarasse a vida com mais seriedade. Aos 34 anos, ele teve que assumir a herança deixada pelo pai, em 1978, de continuar produzindo com prazer as máscaras dos papangus. 

A responsabilidade aumentou quando Lula passou a ser referência no município e nas redondezas ao explorar todo o seu desempenho no artesanato, sem contar que substituiu o pai no comando do bloco "Bacalhau na Vara do Zé Vassoureiro", que desde 1956 anima os foliões. Encerrando o Carnaval de Bezerros na Quarta-Feira de Cinzas, a troça mantém viva até hoje a tradição do clã Nascimento. "Quando começou foi um pedaço de peixe na vara e quatro amigos do meu pai. No ano seguinte, trinta pessoas já acompanharam o bloco. Hoje, já temos mais de 300 quilos [de bacalhau]", explica. 

"O povo se admirava comigo pulando frevo", relembra seu Lula, que aos 74 anos, acompanha moderadamente o seu bloco por conta da fragilidade causada pela diabetes. Por sua importância no universo da arte popular de Bezerros, em 2014, recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. Contribuindo cada vez mais como artesão, e admirado por pessoas que compraram suas peças em exposições nacionais e internacionais, como Japão e Estados Unidos, naquele mesmo ano, Lula Vassoureiro foi o grande homenageado da cidade durante o Carnaval.

Com um currículo recheado, incluindo nele a confecção de uma máscara de 5,5 metros de altura que foi parar no Livro dos Recordes, seu Lula se orgulha: "Os artesãos de Bezerros, 95% passaram por mim". Atualmente, seu Lula Vassoureiro dá aulas para crianças de Bezerros nos fundos da sua casa. A taxa simbólica de apenas R$ 3 serve de passaporte para os alunos mirins explorarem seus sonhos com as dicas preciosas do mestre Lula.

Conheça mais um pouco da história de Lula Vassoureiro:

 

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