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Patrimônio • 22/01/2020 - 13:59 • Atualizado em: 22/01/2020 - 13:59

Maestros falam da importância de cuidar do frevo, ritmo Patrimônio Imaterial da Humanidade

Profissionais do ritmo pernambucano pedem um pouco mais de carinho e atenção para com ele

 

por Paula Brasileiro
Júlio Gomes/LeiaJá Imagens Os maestros estão atentos à manutenção do frevo (Júlio Gomes/LeiaJá Imagens)

No ano em que o Carnaval do Recife homenageia um de seus grandes mestres, o Maestro Edson Rodrigues, as atenções se voltam ainda mais para o ritmo pernambucano intitulado Patrimônio Imaterial da Humanidade. Porém, apesar de título tão expressivo, essa cultura tem sido lembrada quase que exclusivamente no período carnavalesco e os maestros, que dedicam suas vidas a ele, têm se preocupado. Eles desejam que o frevo seja melhor cuidado para que se mantenha vivo e com 'boa saúde' para as próximas gerações. 

Para o homenageado da festa, o Maestro Edson Rodrigues, o frevo deveria ser matéria curricular na escola. Ele próprio aprendeu música durante sua vida como aluno e garantiu, em entrevista exclusiva ao LeiaJá, que as lições tiveram importância fundamental em sua formação. "Eu aprendi música na escola, também ouvia minha mãe e meu pai cantarem. Fez toda diferença".

O Maestro Spok, que foi aluno de Edson e também já esteve na posição de homenageado do Carnaval, concorda com o mestre e coloca como "sonho" que essa cultura, e outras, pudessem figurar como matérias escolares. "Isso é um sonho nosso, dele (do Maestro Edson) também, de ver não só o frevo, mas a cultura popular, na escola. Mas não na escola só quando chega o Carnaval ou só quando chega o São João,  sonho é ver isso de forma sistemática, como disciplina curricular". 

Outro grande maestro, Ademir Araújo, o Formiga, complementou os colegas de profissão falando da importância de se debater a respeito do frevo durante todo o ano, mas não somente entre os músicos e sim com toda a sociedade. "Para você ver, esse ano é o quando se comemora 250 anos de Beethoven. As sinfonias de Beethoven vêm há mais de 100 anos,por que o frevo não vale nada? É hora de se repensar o Paço do Frevo (museu que abriga a história da manifestação), não a competência de quem o faz, mas que ele dialogue com a sociedade para que o frevo se torne de fato Patrimônio Imaterial da Humanidade".  

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