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Viva o Frevo • 09/02/2020 - 08:00 • Atualizado em: 09/02/2020 - 08:00

No Dia do Frevo, artistas indicam novos nomes que você precisa conhecer

Apesar de centenário, o gênero está cada vez mais atual

por Paula Brasileiro
Divulgação/Estúdio Orra Marcello Rangel (centro) é uma das novas surpresas do frevo, segundo a Banda de Pau e Corda (Divulgação/Estúdio Orra)

Centenário e Patrimônio Imaterial da Humanidade, o frevo é o ritmo que melhor simboliza o Carnaval pernambucano. Seja abafando nas orquestras de rua ou encantando com o lirismo dos blocos de pau e corda, ele inebria e arrasta multidões durante a Folia de Momo. Mas, engana-se quem pensa que é preciso esperar o Carnaval chegar para apreciar um belo frevo. Compositores, músicos e cantores estão produzindo a todo instante, fazendo a manutenção do ritmo e deixando-o sempre novo. O LeiaJá conversou com alguns artistas consagrados do cenário pernambucano que indicaram quais as vozes e frevos novos que a gente não pode deixar de ouvir. Confira e ouça!

"Indico um querido amigo, o Edinho Queiroz. Um parceiraço, uma das vozes do frevo novo que tá surgindo. Edinho tem um projeto chamado Frevos em Versos, que ele coloca letra nos  clássicos de frevo de rua, como Cabelo de Fogo, Duda no Frevo, Gostosão; ele também é compositor, é meu parceiro, a gente faz música juntos, Sonhos Roubados é uma canção minha e dele que ainda não foi gravada e eu pretendo chamar o Maestro Spok para gravar comigo. Edinho é do Rio Grande do Norte, de Macau, mas tem o frevo no sangue desde muito novo porque o pai escutava muito frevo, ele é um entusiasta." 

Bia Villa-Chan é cantora, multi instrumentista e compositora; vencedora do Prêmio da Música Pernambucana, na categoria Melhor Cantora de MPB, e do Troféu Gonzagão, considerado o ‘Oscar da música nordestina’. 

"Manuca Bandini pra mim é um compositor que tem uma forma totalmente diferente de compor frevo e que é genial. Ele é meio cronista, conta causos e coisas da cidade, os acontecimentos de uma forma bem diferente. Ele tem um projeto chamado Frescura, é justamente o frescor do frevo diferente. É um cara que eu admiro muito. Um dia quero gravar um disco só com músicas dele. Tem André Macambira também que inclusive eles fizeram um frevo que tirou o segundo lugar no festival de Frevo. Roberto Cruz também faz frevo todo ano, ele é do forró mas faz frevo; Rogério Rangel. Mas, dessa nova geração, além do Manuca, minha filha Ylana está com o projeto Ska Frevando, ela e o grupo Ska Maria Pastora, eles fazem releituras de frevo. Tem Mônica Feijó que está fazendo o Frevo pra ouvir deitado. Tem muita gente fazendo releituras, mas compondo mesmo, dessa galera mais nova, eu indicaria Manuca Bandini. Tem que se prestar atenção no trabalho que ele faz com o frevo que é maravilhoso."

Nena Queiroga é cantora e compositora com mais de 30 anos de carreira dedicados ao frevo. Em 2018, foi a homenageada do Carnaval do Recife.

"O frevo tá presente na minha vida o tempo inteiro. Eu escuto bastante o ano todo. Ultimamente eu tenho composto frevo, ainda não gravei nenhum, mas é um sonho meu que quero realizar futuramente. Eu sou um artista que pensa que o frevo não precisa e não pode se ater apenas ao período carnavalesco. Eu tenho três indicações. A primeira é um frevo chamado Fanfarra, de uma banda pernambucana chamada Mamelungos, que é um frevo lindo que passa sobre vários pontos altos do Carnaval pernambucano, vale muito a pena escutar. Tem um outro pernambucano chamado Juliano Holanda, ele compõe vários frevos, mas esse pra mim é um dos mais bonitos dele, que se chama Morrer em Pernambuco. É um frevo bem emocional. E um terceiro frevo, que é composto pela Thaís Gulin e pelo Moreno Veloso, Moreno é baiano, e se chama Frevinho que também é incrível e eu tô sempre escutando e cantando, tem um refrão super potente que eu acho super forte e pop, vale muito a pena ouvir."

Romero Ferro é cantor, compositor e idealizador do projeto Frevália, no qual dá nova roupagem ao frevo. 

Flaira Ferro e Pupillo com o Frevo do Mundo, seu projeto com o estúdio Muzak do Recife. É o que temos de melhor atualmente

Fábio Trummer é vocalista e um dos fundadores da Banda Eddie, que em 2019 celebrou 30 anos de trajetória. O frevo sempre esteve presente no som do grupo, mas em 2020, eles lançaram um disco totalmente dedicado ao gênero, Atiça. 

"Tem uma menina que eu gosto muito e acho que ela tá super pronta para o mercado, Maria Flor. Acho que ela já tá muito além de um começo. Ainda não vi nenhum trabalho materializado mesmo da Maria Flor mas a performance dessa menina é esplendorosa." 

Almir Rouche é um dos mais importantes nomes da música pernambucana e tem mais de 30 anos de carreira. Em 2017, foi o grande homenageado do Carnaval do Recife

Um cara bacana é Rogério Rangel, inclusive ele é o homenageado deste ano do Homem da Meia Noite. Eu também tenho uma música, Eu sou o frevo, que é o frevo na primeira pessoa, que diz: ‘quanto mais eu envelheço mais eu fico famoso, mais eu fico bonito, mais eu fico gostoso’, eu também me acho, mas é o frevo. 

Ed Carlos é cantor e compositor com 30 anos de carreira. Vencedor de diversos festivais já viajou o mundo divulgando o frevo. 

Os compositores que sempre produziram frevos aqui continuam compondo e lançando, a exemplo do Quinteto Violado, o André Rio, Som da Terra, Spok, Forró e tantos outros. Hoje, nós temos também uma nova geração aqui em Pernambuco de excelentes compositores compondo frevo. Posso citar o Marcello Rangel, que tem uma linguagem bastante contemporânea e compôs o frevo Quer mais o quê? E ele nos deu de presente, nosso disco deve sair em meados desse ano e colocamos esse frevo no repertório e passou a ser também nosso single de Carnaval. Colocamos nesse frevo a marca da banda de Pau e Corda que é essa coisa bem característica do diálogo da flauta com a viola e com os vocais. Mas eu acho que o mais importante disso tudo não é o fato de ter gravado mas também de promover esse diálogo com a nova geração de compositores de música popular brasileira, que também já demonstram um interesse muito grande em compor frevo, isso é muito importante. Posso citar ainda dois bons exemplos que seriam a Flaira Ferro e o Juliano Holanda. 

Sérgio Andrade é vocalista e fundador da banda de Pau e Corda. Com 45 anos de história, o grupo é um dos mais importantes da cena musical pernambucana. 

 

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