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• 25/02/2020 - 21:25 • Atualizado em: 26/02/2020 - 16:34

Ursos desfilam herança europeia no Centro do Recife

Modalidade do Concurso de Agremiações Carnavalescas do Recife é tradição herdada dos imigrantes italianos

por Marília Parente
Rafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagensRafael Bandeira/LeiaJáImagens

Ao longo desta terça (25), cerca de 28 grupos participaram do Concurso de Agremiações Carnavalescas do Recife, realizado pela Prefeitura na avenida Nossa Senhora do Carmo, Bairro de Santo Antônio. Dentre as modalidades, o Urso - uma das mais peculiares tradições do Carnaval pernambucano - encantou o público presente. O gênero ocorre no Brasil a partir do século XIX, com a chegada dos imigrantes italianos, sobretudo da comunidade cigana ligada ao circo, responsável por inserir definitivamente a imagem do urso na cultura nordestina.

De andar elegante e movimentos delicados, o servente de pedreiro Israel Belo foi a grande estrela na pele do Urso Cangaçá do bairro de Água Fria. “Há cinco anos desfilo com o grupo, mas essa é a primeira vez que saio como urso. Estava meio nervoso, pedi a Deus para dar tudo certo. É muito importante para o nosso bairro, que representamos onde chegamos”, comenta. Obedecendo à tradição das agremiações do urso, Israel desfilou pela avenida acompanhado dos outros dois protagonistas da brincadeira: “o caçador”, que tenta conter o animal com uma corrente e uma espingarda, e o “italiano”, seu dono. “Estamos reunidos há mais de 30 anos, é um grupo muito importante para a cultura popular de Pernambuco. Pela primeira vez, estou saindo como italiano, sentido o calor humano e tendo a satisfação de representar a cultura do nosso estado”, resume o componente Jorge Oliveira.

No acompanhamento musical, os instrumentos obrigatórios são sanfona, bumbo, violão, triângulo, pandeiro, surdo e caixa. “A sanfona é um grande diferencial do urso. Além disso, a batida do bumbo é diferente, alegre, lembrando muito o circo”, explica Paulo Duarte, cantor do Urso Cangaçá há 15 anos.

Conquistador(a)

Na cultura nordestina, o urso ganhou ares de galanteador, tendo até se tornado, linguisticamente, um sinônimo de “amante”. O cabeleireiro Alef Jonathan da Silva, que encarna o “Urso do Ovão”, da agremiação homônima do bairro da Bomba Hemetério, na Zona Norte do Recife, não economiza nos beijinhos para a plateia durante o desfile. “É a personalidade do personagem, o urso é aquele que conquista as damas. Então a gente manda beijo, faz carinho e chama para dançar”, explica. Vaidoso, ele interpreta o personagem pelo terceiro carnaval seguido. “Saio nesse urso desde pequeno, mas comecei no batuque. É muito alegria para mim”, comemora.

Rejane Nogueira, ursa do “Urso Pé de Lã”, de Ouro Preto, Olinda, confessa que a fantasia desperta a curiosidade público. “Os homens ficam doidos”, brinca. Justo ela, que trabalha como faxineira, foi a responsável por conduzir a agremiação, com um saquinho de lixo em punho, defendendo a reciclagem como enredo da apresentação. “Foi muito bom, a gente luta para isso acontecer. Achei maravilhosa a proposta da reciclagem, todo mundo deveria contribuir para que as ruas estejam sempre limpas”, apela.

De acordo com a coordenadora do “Urso Pé de Lã”, a popularidade de Rejane no grupo foi determinante para sua escolha como ursa. “É uma pessoa muito querida por todos e nosso trabalho é feito só com pessoas da comunidade. Então pensei: vamos inovar, colocar uma mulher. Por que não?”, questiona.

Resultado

O resultado do concurso será divulgado pela prefeitura na semana no aniversário do Recife, entre os dias 9 e 13 de março. O prêmio em dinheiro para os vencedores varia entre R$ 1,5 mil a R$ 20 mil, a depender da modalidade e da categoria, que pode ser Grupo Especial, Grupo 1, Grupo 2 e Acesso.

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